quinta-feira, 6 de abril de 2017

O último adeus

Eu segurei suas mãos e pedi que você não fosse embora sem ao menos me dar um último abraço. Eu olhei em seus olhos e te disse tudo que estava aqui engasgado enquanto você virava as costas e saía. Eu chorei desesperadamente por alguns minutos até resolver correr atrás de você e fazer você me ouvir. Eu precisava ouvir, eu precisava falar! Quantas vezes eu vou precisar te dizer tudo que eu sinto? Quantas vezes eu vou ter que me jogar na sua frente pra você me notar? Eu nem sei mais se sou capaz de fazer tudo de novo.
Ei, olha pra mim. Eu estou falando com você! Porque você não me encara e diz logo que você cansou? Acha que é mais fácil sair  e me deixar falando sozinha e depois de algumas semanas voltar como se nada tivesse acontecido? Você acha mesmo que as feridas que se curaram querem ser abertas novamente? Você acha que as lágrimas secam porque novas precisam descer? Eu não quero que elas desçam, já te disse. O mais engraçado é que você acha que é muito simples reconquistar minha confiança e que novamente eu vou acreditar em você e confiar minha vida em suas mãos. Eu queria tanto ficar contigo e até gostaria de acreditar que dessa vez as coisas seriam diferentes, mas no fundo eu sei que não seriam.
É, eu só estaria me enganando.
Mas por hoje você pode ficar. Só por hoje.
Amanhã eu quero ir embora logo cedo, antes de você acordar. Quero abrir o portão e sair, trocar meus números de telefone e nunca mais ouvir falar em você. Eu quero me livrar de pensar em você e te apagar da minha pele. Você parece tatuagem, não sai. Parece doença, mas sei que há um tratamento, há uma cura pra tudo isso...e logo ela virá.
Mas olha, se me ver saindo às escondidas, não me peça pra ficar pois talvez eu não saberia dizer "não", e aí todas as coisas que eu disse se igualariam às que eu não disse. E aí...Me perderia.

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