terça-feira, 4 de abril de 2017

As vezes, o amor não é o bastante!

É tarde. Eu não sei exatamente a hora, não consigo me mexer. Estamos deitados na cama dele de barriga para cima, ambos encarando o teto e tentando entender o que está acontecendo. As mãos, que antes me guiavam pelos caminhos, me apoiavam e me erguiam, agora estão, as duas segurando a nuca dele, servindo de apoio para a cabeça que antes eu sabia exatamente o que pensava, mas agora não mais. As minhas estão sob minha barriga, tentando desfazer de alguma forma o nó que está no meu estômago.
O silêncio é ensurdecedor. No fundo, sei que estamos loucos para um de nós irromper o silêncio, mas sei também que ambos prometemos repetidamente em nossa cabeça: Não será eu!
Começo a sentir meus olhos arder. E enquanto luto desesperadamente para que ele não me veja chorar mais uma vez, me esforço para tentar entender quando foi que nós nos perdemos um do outro. Em que momento largamos nossas mãos. Em que estrada nos separamos e não soubemos mais voltar.
Ele suspira, como se estivesse cansado demais para falar qualquer coisa. Eu suspiro, como se quisesse ouvir qualquer coisa dele, qualquer coisa que fizesse sentido, porque agora nada mais faz.
Sinto uma lágrima escorrer pela maçã do meu rosto, não tenho coragem de limpar, só deixo ela descer. Permaneço imóvel. Mas essa gotinha de lágrima desencadeia uma tempestade sem fim no meu peito, e eu quase consigo ouvir os trovões, essa será das grandes. Em poucos minutos, eu já não aguento mais segurar o soluço e irrompo o silêncio com o som dos trovões que saem do meu coração. Droga de promessa! Droga de coração mole! Droga!
Minhas mãos que antes estavam sob minha barriga, agora estão no meu rosto, tentando esconder as lágrimas e guardar o pouco de dignidade que ainda me resta.
E então, como um choque térmico sinto mãos geladas envolverem as minhas. Agora ele está de frente para mim, me olhando nos olhos e tentando segurar minhas mãos de maneira que eu não consiga levá-las novamente ao meu rosto.
Sei o que ele está pensando: chorar não resolve nada! - e ele está certo.
Ele suspira uma segunda vez, gagueja antes de formular qualquer frase, mas  finalmente fala:
-Sinto muito! - ele ajeita um fio de cabelo solto atrás da minha orelha - Eu não sei o que dizer, eu... - ele fecha os olhos, como se quisesse convencer a si mesmo que vamos ficar bem - Eu preciso que você saiba que amo você, mas que as vezes, algumas vezes, a gente precisa se afastar da pessoa que a gente ama para que ela seja feliz. Talvez a gente se esbarre algum dia, e se isso que a gente sente for de verdade, vamos encontrar um jeito de voltar para o outro. Mas, agora eu não vejo outra alternativa senão te deixar ir. As vezes, o amor não é o bastante.
Ele beija as pontas dos meus dedos, me puxa para perto dele e enquanto abafa os soluços do meu choro fala baixinho: "Ta tudo bem! Tá tudo bem! Tá tudo bem...".
E eu estou aqui, sentindo o perfume que tantas vezes ficou cravado em minha pele, nos braços que sempre estavam estendidos para que eu pudesse me abrigar, nas mãos que tantas vezes me levantaram, ouvindo a voz que acalentava meu coração, sob os cuidados de quem eu não sabia mais viver sem, ou pelo menos, não queria. Fiquei encolhida no abraço dele por horas, e quando finalmente eu parei de chorar, olhei os olhos que tantas vezes iluminaram os meus dias, e vi o sorriso que fez meu mundo parar de girar desde o primeiro encontro. Repentinamente beijei os lábios que me deram prazeres, antes desconhecidos. E sussurrei: "Talvez essa seja minha maior prova de amor a você, te deixar livre para voar e rezar para que você perceba que seu lugar é do meu lado".
Ah, o amor! Isso que muitas pessoas falam e poucos sentem. Isso que eu sei que nós tínhamos e que tanta gente sonha em ter.
O amor é como uma Flor, cuidados demais o faz secar, cuidados de menos o faz morrer. Não sei em qual desses nós erramos, fato é que agora, olhando nesses olhos verdes que você tem, eu vejo que ele está cansado. Nosso amor está cansado demais para lutar em campo de batalha desconhecido.
Eu deveria ter me despedido dizendo que vamos nos encontrar, mas a única coisa que eu disse quando ele me deixou em casa foi "Te cuida", e meu coração gritava enquanto ele arrancava o carro: "Deixa eu cuidar de você, por favor, deixa eu cuidar de você!"

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