quinta-feira, 30 de março de 2017

Desabafo

Hoje a noite tava fria. Por alguns instantes me senti vazia. Vazia de coisas que minha alma tá cheia, tipo o amor. Como se eu precisasse amar alguém para me transbordar. Transborda por si mesma, menina.
Senti um buraco por dentro, de sinceridade -- como se isso me faltasse. O que falta é apenas uma ligação para aquela pessoa que precisa ouvir o que tenho pra falar, seja ela quem for.
As vezes demoro a entender as coisas. Prefiro sempre sorrir nas partidas, embora, por dentro, meu coração se encha de lágrimas de saudades. Prefiro ficar sentindo o cheiro do seu perfume que o vento sempre trás, e aceitar a vida como ela é.
Não queria um amor só meu. Acho que nunca quis, pra dizer a verdade. Acho que, na minha vida inteira, quis apenas que o amor fosse me dado ali: aqui, agora e que mesmo depois de dias ou meses sem um "Oi", o amor me voltasse com um buquê de rosas vermelhas na mão e um olhar cabisbaixo daqueles de derreter qualquer iceberg, que nem precisaria me pedir desculpas. E tudo ficaria bem.
Mas do mesmo jeito que tenho milhões de perguntas sobre bilhões de coisas, tenho perguntas sobre uma bela flor que vi nascer e sobre pássaros em formas de risos que enfeitavam um céu.
Mas enquanto meu corpo já se deu por vencido, eis que vem o final. E entendi que o final é apenas o começo de novas histórias e que eu tenho o papel principal.

Sobre o autor: Ladjane Costa, 26 anos, pernambucana de Surubim. Tem como hobbies jogar futebol, beber e escrever seus sentimentos em um caderno.

terça-feira, 28 de março de 2017

Solar (Música)

Nos mostre o brilho desta cidade
O colorido, o que for
Rotina corta o meu sorriso
E nos mistura junto ao calor

Eu quero o coro da multidão
Que se indigna e mostra fervor
Mas vejo crenças que se desbotam
E desanimam antes de caminhar

A história pulsa e detrás dos montes têm muito pra contar
Tem muito pra contar
A arte grita e sem respaldo
Alguém pra escutar?
Corações lutam abarrotados
Ônibus lotado pra tomar
E o que eu tenho pra amanhã?

Nos mostre o brilho dessa cidade
Sei que há beleza e calor
De tantos nomes que desabrocham
Nos deem motivos pra ter vigor
Eu quero o coro da multidão
Que dá a cara e mostra fervor
Se existem crenças que não desbotam
Nem desanimam antes de caminhar no solar

E caminhar no solar
E caminhar no solar
E caminhar no solar dos sertões


Notas do autor: Essa letra foi originalmente composta com intuito de participar do Festival do Pequi, que ocorre anualmente em Montes Claros- MG todo final de ano. Cenário político um caos (como de praxe em todo o Brasil), e a luta diária pra continuar nesta vida e rotina cansativa de estudar, trabalhar, tomar ônibus e aguentar todo o calor desta cidade escaldante.

Sobre o autor: Geraldo Júnior, 26 anos, baiano mineiro, acadêmico de Ciências Contábeis e da vida. Meu coração é das humanas. Cantor, compositor. Ora introspectivo e tímido, ora desbocado e decidido. Sempre dando de pintor e produção de artes por aí.

domingo, 26 de março de 2017

Foi o Momento Errado

ELE

-- Eu gostava de você. – Ela encarava o chão, pensativa, até que desviou seu olhar para mim. Vi o brilho naqueles olhos castanhos e, por um segundo, me perdi. Me encontrei nas duas palavras seguintes que ela disse: – De verdade!

-- Eu também gostava. Mas foi um desencontro. Foi o momento errado.

O momento errado... Eu tentei ficar com ela por meses e meses, cansado de ouvir suas desculpas para não se aproximar de mim. Fiquei surpreso quando ela me procurou. Era só um lance como outro qualquer. Pura diversão. Nos entendíamos muito bem. Passávamos o dia nos divertindo e fazendo amor. Ela era minha companheira de pizzas, vídeo games e cinemas. Assistimos aos jogos da Copa do Mundo juntos e eu nunca vi maior pé-frio que ela. Eu dormia abraçado com ela, com o corpo dela grudado no meu. Eu era livre. Encontrava com ela quando eu queria. Quando não queria, eu simplesmente pegava meu carro e colocava o pé na estrada. Era fácil. Ela nunca questionava. Eu passava um mês sem dar sinal de vida, sem responder suas mensagens. Me embebedava toda noite nos bares, por aí. E foi assim por vários meses. Quando voltava, ela ainda estava me esperando, usando aquela camiseta da banda que eu gostava. Tão lindinha. Tão divertida. Ela ria até das caretas que eu fazia. Encontrou uma foto de um leão bocejando e disse que parecia comigo. Foi ouvindo Beatles. Beatles era a banda que estava tocando quando a gente começou a namorar. Mas eu nunca perguntei se ela queria namorar comigo. Não, aquilo não foi um namoro. Eu só dizia isso quando estava tonto. Mas eu me lembro de ter dito que ela conheceria minha mãe e meus amigos. Ela ia ficar perdida com meus amigos. Eram todos atleticanos, ela era cruzeirense doente e eu torcia para o São Paulo. Adorava o jeito que ela dançava. Ela conhecia toda a minha rotina. Ela cuidava de mim quando eu não estava bem. O medo tomava conta de mim, mas ela sempre vinha me abraçar. Eu me lembro de ter pedido para ela ficar e ter dito que a amava. Foi só uma vez. Mas tudo foi se desfazendo, de uma hora para a outra, e eu não fiz nada para impedir. Eu não quis fazer. Eu tinha meu trabalho, minha vida, minhas vontades. Ela só estava começando a vida dela. Eu simplesmente me distanciei. Foi o momento errado.

-- Que pena! – ela respondeu.

 ELA

-- Eu gostava de você. – Eu só queria que ele soubesse. Dentro de mim, aquele sentimento era verdadeiro, mas acabou. Talvez ele percebesse a chance que perdeu. O silêncio permaneceu até que olhei para ele. Aqueles olhos verdes vidrados em mim, mas perdidos, longe dali. – De verdade!

-- Eu também gostava. Mas foi um desencontro. Foi o momento errado.

O momento errado... Ele ficou atrás de mim por vários meses, me atormentando com aquelas cantadas baratas e elogios sem fim, tentando me convencer de ficar com ele. Mas ele era bonito, elegante quando queria ser... inteligente e educado, um cavalheiro quando queria ser. Procurei por ele. No começo eu não pensei em me apaixonar. Entrei naquele relacionamento distraída. Mas os nossos gostos se encontravam, sempre. Passávamos o dia nos divertindo e fazendo amor. Ele era meu maior companheiro em tudo o que eu fazia. Assistimos aos jogos da Copa do Mundo juntos e eu torcia com todas as minhas forças, mesmo ele me chamando de pé-frio. Ele me aconchegava em seu peito e, dormir junto com alguém nunca me pareceu tão confortável. Mas ele me procurava quando queria. Quando não queria, ele simplesmente pegava o carro e colocava o pé na estrada. Era fácil. Ele não era meu namorado, eu não podia cobrar nada. Ele sumia e eu ficava aqui, com o coração apertado, sonhando em ser uma pessoa importante para ele. E foi assim por vários meses. Quando ele voltava, tudo o que eu queria era que ele gostasse de mim. Tão lindo. Tão engraçado. Foi ouvindo Beatles. Beatles era a banda que estava tocando quando a gente começou a ficar. Quando ele bebia, ele dizia que eu era sua namorada. Eu rezava para que fosse de verdade e que nada mais separasse nós dois. Mas nunca conheci a mãe dele, nem seus amigos. Ele conhecia os meus. Adorava quando ele tocava violino. Ele conhecia toda a minha rotina. Cheguei a cuidar dele no meio das suas crises de pânico. Ele me abraçava e me pedia para ficar, chegou a dizer que me amava. Foi só uma vez. Mas tudo foi se desfazendo, de uma hora para a outra, e eu não consegui fazer nada para impedir. Eu estava seguindo o mesmo caminho dele, mas ele preferia escapar sozinho do que me ter ao seu lado. Ele estava cada vez mais distante. Foi o momento errado.

-- Que pena! – respondi.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Paixão platônica

Eu não queria pensar tanto em você, não me preocupar com algumas coisas e nem sentir sua falta da forma que eu sinto. Eu fico imaginando tantas coisas acontecendo, tantas histórias inventadas aqui na minha cabeça. Incrível que essas coisas nunca saíram da minha cabeça, nunca existiram. Eu fico perambulando em meus sonhos procurando você durante meu sono e até acordada. Fico relembrando conversas, ouvindo sua voz no meu ouvido, sentindo seu perfume invadindo minha manhã e caminhando comigo até o fim do dia. Eu te coloco em meus pensamentos da mesma forma que tento tirar, mesmo que em vão. Eu crio mil histórias, mil maneiras de puxar um assunto. Eu refaço meus passos em direção à sua casa na esperança de que um dia você me sirva um café. A paixão é maravilhosa e ao mesmo tempo perturbadora. É inexplicável. É perfeita e sem mistérios e, ao mesmo tempo indecifrável. A paixão é fantástica, mas destruidora. Ela morde e logo assopra. Você odeia sentir, mas não se imagina sem a presença da pessoa. Você só pode sentir, mesmo que a sinta sozinha, mesmo que não queira mais tentar convencer alguém a sentir o mesmo, até porque é impossível. Ou sente ou não. Eu quero viver enquanto eu sentir. Isso me basta, por enquanto.

segunda-feira, 20 de março de 2017

TODOS FUDENDO E EU ME FUDENDO


Ocorrida em 2008

Quando eu saí do estágio estava procurando emprego ou algo do tipo, não tinha muita experiência com softwares de detalhamento, mas já tinha uma certa experiência com projetos, devido a formação técnica e o estágio, foi então que eu colega meu que dominava detalhamento, mas tinha o déficit em projetos elétricos me propôs que juntássemos nossas competências para pegarmos projetos e dividir os lucros. Eu estava desempregado e precisando de grana, então foi a proposta perfeita para o momento. Aragão era meio doido e de hábitos noturnos questionáveis, mas bem relacionado e com um ótimo Networking, então resolvi correr o risco. 
O esquema era o seguinte: um engenheiro civil amigo de Aragão iria nos passar os projetos, como esse engenheiro trabalhava na prefeitura na parte da manhã, na parte da tarde íamos lá e combinávamos com ele os projetos, na parte da noite íamos para a casa de Aragão e viramos a noite executando os projetos. 
Na verdade, a divisão dos trabalhos era um pouco mais complexa e desleixada: Éramos um grupo de 4 rapazes, eu, Aragão, Julio e Linux, porém Linux não era projetista, apenas formatava uns computadores para formatar, mas ficava com a gente pois já era amigo de Julio e Aragão. Todos os três fumavam, então nossa rotina era mais ou menos assim: Na parte da tarde nos encontrávamos no escritório de engenharia, pegávamos os projetos e discutíamos a parte de cada um em sua execução, depois disso íamos até uma padaria comprar o cigarro que eles fumavam, ficávamos conversando e bebendo em uma praça da cidade que era point de roqueiros e uma galera mais alternativa, depois de umas 21:00 íamos para a casa de Aragão e começávamos o projeto, sempre trabalhávamos regados muito rock in roll e cerveja, virávamos a noite e dormíamos a manhã toda, depois na parte da tarde o ciclo se reiniciava. 
Em um desses dias estávamos na praça como de costume quando aparecem duas amigas de Linux e ficamos ali conversando e falando besteiras com as meninas, até que Aragão as chama para sua casa, lá sempre tinha cerveja mesmo, só faltavam as garotas para ser o trabalho perfeito, as meninas aceitam e chamam uma terceira amiga, essa, porém era desconhecida de todos. 
Chegando na casa de Aragão ninguém quer saber de trabalhar, apenas beber e paquerar as garotas, até que um vizinho de Aragão ouve o barulho e cola lá também, pronto agora não era mais trabalho, tenha virado uma farrinha de amigos, parece que os rapazes tinha se esquecido do trabalho, e eu era dentre eles o que mais precisava de grana no momento, não me restando outra opção senão pegar uma garrafa de cerveja e ir para a frente do computados, quando me dou conta, Linux está transando com uma no quarto (parecia que estava batendo na menina, nunca vi ninguém gemer daquele jeito), Julio com outra na varando, Aragão bêbado e sozinho na cozinha e o vizinho de Aragão chupando os peitos da outra no sofá ao meu lado enquanto em meio a tudo isso eu tento apenas terminar o projeto(foi difícil, mas eu consegui), o problema é que naquela noite eu não tinha avisado em casa que iria “dormir” fora e para completar a merda meu celular descarregou. 
Terminei o projeto lá para as 4:00 da manhã, fui dormir um pouco e acordo lá para as 08:00 com o telefone fixo da casa de Aragão tocando, de ressaca e morto de cansado atendo, era meu pai que diz que passou a madrugada inteira me procurando em hospitais preocupado comigo pois eu não avisei (as vezes meu pai se excede), e que estaria passando lá para me buscar, quando me dei por mim novamente estava no carro com ele e me lembro dele falar muito, mas tomado pela ressaca e pelo cansaço não me lembro muito do que ele disse. Foi então que resolvi que a partir daquele dia eu iria pegar meus freelances por conta própria, foi muita treta para uma pessoa, não tem networking que valha tanta confusão! 

PÓS HISTÓRIA 
Apesar de todas essas confusões foi assim que aprendi a desenhar, e hoje eu e Aragão ainda trabalhamos com desenhos e projetos, porém sem álcool e mulheres, mas sabe como é, “escola” é sempre “escola” e ainda lembramos dessa época com certo saudosismo e nostalgia.

Escritor Misterioso

domingo, 19 de março de 2017

Você

Olha só menino tem uma coisa aqui dentro do meu coração que chama por você, e eu nem sei porquê, mas também não quero saber. Isso que as pessoas chamam de amor, que eu jurei nunca mais sentir depois que o último babaca partiu meu coração... É, mas aí você chegou. Chegou chegando. Bermuda jeans surrada, lavada na máquina de lavar, camisa xadrez e havaianas, você nem pediu pra entrar, você só entrou, e fez morada no meu coração e quebrou os paradigmas, e me fez entender que eu não mando mais em mim. Agora só da você aqui dentro. Você que juntou todos os pedaços do meu coração, você que me fez sorrir daquele jeito bobo de novo, e como eu amo sorrir quando é por você! Você que fala de coisas que nem sabe, mesmo assim eu te acho tão esperto! Você que conta piadas sem graça e me faz morrer de rir. Como eu amo ouvir suas histórias! Sobre o carro que quebrou e te deixou na mão na semana passada, sobre sua mãe que não entende as gírias que os jovens usam, sobre seu cachorro que é virgem até hoje (tadinho). Você que me faz sorrir sem perceber, que morde o lábio de uma maneira que me deixa louca e me faz pensar em mil e uma coisas ao mesmo tempo. Você que não esconde o seu ciúme. Que diz que vai embora e volta meia hora mais tarde. Você que fica. E eu que pensava que ninguém valia o meu tempo percebi que cai numa furada, você merece tudo! Você que quando sorri não tem ideia de como fica lindo, e como eu amo quando você sorri! Você que é lindo quando está nervoso, mas não faz ideia de como fica lindo quando está sereno. Você que entende as minhas crises de ciúme, que diz que eu preciso mudar isso mas adora quando eu demonstro. Você!
Na última noite você me perguntou o que eu quero para esse ano além de novas oportunidades, eu disse que precisaria de um tempo para pensar, mas aí você me abraçou por trás enquanto eu preparava o nosso jantar e eu percebi... Preciso de você! Agora, no jantar de amanhã, no café de depois de amanhã e nos outros dias que seguirão... To preparando a vida para você, vê se não me decepciona!
Agora "vem cá" me fazer um cafuné, que carinho seu nunca é demais!

quinta-feira, 16 de março de 2017

A FESTA DE R$2,50 MAIS CARA QUE EU JÁ FUI

Ocorrida em 2007

Eu e meus amigos sempre fomos meio lerdos e paradões, aqueles caras que não estão nem no grupo dos nerds e nem tão descolados quanto a galera do cantinho do bullyng (que na nossa época era só zueira mesmo), mas tudo estava prestes a mudar depois daquela festa que parecia ser só mais uma das festas de um grupo de igreja que participávamos, não estranhe meu amigo, aquele grupo era apenas um pretexto para adolescentes de 15 anos beijar e chupar os peitos das meninas que deixavam seus pais tranquilos em pensar que suas adoradas filhas estavam rezando em uma reunião de igreja.
Cara essa festa foi mesmo um divisor em nossas vidas, mas pode ter certeza que todos se fuderam de alguma forma, meu amigo Pedro e seu irmão tinham ingressos para essa festa que era para comemorar o aniversário de uma mina loira e safada que Pedro tinha ficado algumas vezes, até hoje não acreditamos que Pedro tenha conseguido tal façanha, uma vez que era tolo e desajeitado, mas ok, Deus ajuda os tolos também, por isso ele é Deus. Estavam também com a gente um vizinho de Pedro, Gabriel, Bruno e Carlos, como eu disse éramos babacas nesta época e acredito que eu era o pior, a festa era a apenas umas quadras da casa de Pedro e fomos andando, o bairro era meio parado e com fama de perigoso e eu já estava me cagando no caminho, como medo de ser roubado, logo eu que tinha apenas R$20,00 reais no bolso e um celular que deixaria o ladrão com tamanha raiva que me daria mais R$20,00 reais, chegamos lá e ganhamos mais um ingresso da menina que ficou feliz de vez Pedro, não por querer ficar com ele, até porque no decorrer da noite ficaria claro que isso não iria ocorrer e sim porque ela era daquele tipo de garota que precisa de alguém pagando pau a todo instante, para que todos entrassem resolvemos comprar mais um ingresso e dividir o valor entre todos, o que deu irrisórios R$2,50 para cada um e acreditem ou não Carlos reclamou do valor.
Tinha cerveja quente e uma batida com gosto de vômito, mas por R$2,50 meus padrões se adaptaram rapidamente, porém Tayla nos advertiu que devido ao alto nível de barreirados não chegássemos em nenhuma garota sem que ela fosse informada para sondar anteriormente se era “seguro” ou não. 
Ocorre que em nossa primeira ida ao bar Bruno ignora o aviso e aborda uma loira magrela com quem começa a conversa até ser interrompido pelo namorado da garota que mais parecia um armário duplex, eu assustado intercedo e peço desculpas ao cara que acho que só não bateu em nós por dó e por saber que nem sua namorada merecia todo aquele esforço(e olha que bater em nós não era grande esforço), dou um puta esporro em Bruno que me repreende falando que não era nada, e que foi mero azar, prefiro ignorar pra não mandar Bruno ir se foder, e continuo bebendo aquela cerveja quente que mais aprece mijo de cavalo, quando vejo Gabriel do outro lado tomando coragem para chegar em uma mina que tinha a fama de vagabunda e que nunca gostei de chama-la assim pra não ofender as vagabundas que conheço, meu impulso foi de ir lá e mandar ela já beijar a mina e levar ela pra um local mais escuro pra pelo menos salvar uma chupeta, porém Pedro me pede pra deixar ele se fuder, o que avaliando melhor hoje me alegra, pois assim todos nós nos fudemos igual naquela noite, mas calma que a noite é grande e ainda nem começaram os nossos problemas.
Quando percebi que pegar alguém era muito arriscado achei que beber era a melhor forma de fazer valer meus R$2,50, novamente a caminho do bar Bruno avista uma outra loira e resolve chegar nela e quando eu vejo a merda já estava feita, o viado devia estar muito bêbado pois chegou novamente na mesma menina magrela de mais cedo, foi Deus quem falou por mim e me fez convencer ao armário com cara de Mr Catra que tiraria ele de circulação e que ele não iria paquerar com a menina pela terceira vez, meu Deus não sei como não ri na hora, pois agora mal consigo escrever isto ao lembrar de como tudo ocorreu. Só prometi a Bruno que se ele chegasse novamente em qualquer mulher eu iria arrumar um namorado para essa garota para bater nele.
Mais tarde um pouco fizemos e começamos a dançar, meu Deus como éramos ridículos!!! Quando vejo o irmão de Pedro puxa Bruno e olho que o armário queria dar um soco que se acerta aleijaria Bruno, foi nesse momento que pensamos em ir embora (como eu quis ir mas parece que a merda tinha de ficar pior e por isso algo nos fazia continuar).
Depois da tola decisão de continuar e ainda na rodinha dançando tontos do álcool e da forma mais ridícula possível olho para o lado e vejo uma mina gorda, desengonçada e com uma blusa de alça que dava para ver os pelos do sovaco, não vou falar de sua feiura pois imagino que esteja implícito e ainda fumando um cigarro olha pra mim com aquele sorriso mais amarelo que o bob esponja e que de alguma forma ela acha que está seduzindo, quase vomitei o ultimo copo de batida, quando meus amigos não se aguentam de risos e tentam me encorajar a pegar aquele demônio pois teriam motivos para me zoar até o fim dos tempos ( na verdade eles ainda têm porque fiz muitas besteiras no decorrer dos seguintes anos, muitas dela sozinho e sem a ajuda do álcool, o que é ainda pior me tira esse ótimo álibi), nem que eu quisesse não teria pegar aquele dragão, mas até hoje quando recordamos da história Bruno insiste em falar que eu cogitei tal hipótese, leia novamente a descrição da menina algumas linhas acima e saberá que tal feito era impossível, ocorre que a menina parece que estava mesmo na minha pois cada vez se remexia mais na esperança de me seduzir, conseguindo apenas me enojar, jogava fumaça do cigarro pra cima até que chegou em seu apogeu: piscou pra mim e jogou a bituca do cigarro em meus pés enquanto me mandava um beijo, era a visão do inferno, foi logo após essa cena que decidimos ir embora pois não queríamos esperar pela próxima merda que poderia acontecer.
No caminho de volta fui muito zoado pelos meus amigos com exceção de Carlos que não conseguia parar de reclamar que tinha pago R$2,50 por aquela merda, acredita? O cara bebeu muito e se divertiu (as minhas custas e de Bruno) e ainda fica resmungando, até hoje acho que eu deveria ter dado a ele R$5,00 e pedir que ele nunca mais sai com nós em nossas festas de pobres, Bruno quase apanha, eu quase tenho um infarto caso comesse aquela gorda e o cara reclama de R$2,50, vá se fuder.

PÓS HISTÓRIA
Seis meses depois estávamos em uma dessas festas de quadrilha da escola que estudávamos e o Bruno avistou uma loira magrela (sim ele tem fraco com loiras magrelas até namorou uma por três anos, mas essa eu perdoo porque ela era bonita e tinha um belo par de peitos, mas isso eu conto depois), e abordou novamente a menina e por mais surreal que se pareça era a mesma menina da festa de Tayla, mano eu até hoje não acredito que mesmo depois de quase apanhar ele ainda não gravou o rosto da menina, era igual aquele filme “Como se fosse a primeira vez” com Adam Sandler e Drew Barrymore, só que ao contrário. Até mesmo porque nesta festa da escola não tinha álcool, ou será que alguém batizou a canjica?

Escritor Misterioso

Bússola

Minha bússola está quebrada há dias, semanas, meses, como saber? Sem ela não tenho mais direção, estou tão perdido que não sei mais se ela de fato quebrou ou se fui eu quem a perdeu no primeiro bar de esquina tomando um porre buscando esquecer-se de tudo. Não sei ou não sabia, pois quando eu já havia desistido de minha busca pelo caminho de volta pra casa, estava cansado, só queria como dizem: “sombra e um pouco de água fresca”, eu lhe encontrei, eu que não estava te procurando, achei em você um doce e mutuo acalento, e foi aí que me vi mais perdido do que antes, só que agora eu estava perdido em um paradoxo onde ali eu me sentia eu mesmo, como se finalmente estivesse me achado ou se estivesse defronte um espelho, (mas não podia ser um espelho, pois a imagem era bem mais agradável que meu rosto cansado) tudo que eu lançava aquele espelho, miragem ou qualquer outra indefinição que ainda és pra mim me voltava a mais doce e sincera resposta, de modo que não mais encontrar meu caminho eu queria como querer ir pra casa depois de te encontrar? Quero apenas um denominador comum de tudo isso, poder estar perto de você, conversar sem pressa e quem sabe segurar sua mão.
Desculpe-me a incerteza em minhas linhas, mas você se tornou uma esfinge para mim, e isso me deixa um pouco tonto, amedrontado eu diria, pois sabemos bem o que a esfinge diz ao homem: - “Decifra-me ou te devoro”, e não sei se quero ser devorado por ti, não ainda.
Este é o momento chave, a incerteza, entretanto almejo em um futuro breve transpor este momento para poder estar contigo enquanto lê tais linhas, na esperança de tirar de ti pelo menos um sincero sorriso

quarta-feira, 15 de março de 2017

Tempestade

Uma tempestade vem aí,
Eu não tenho para onde ir.
Perdida em meio a imensidão de sentimentos
Que cresce cada vez mais no meu coração.
Ele não me ligou,
Ele não quis saber se estou bem, 
Se estou viva.
Me pergunto:
Porque não acabei com tudo?
Coração tolo, 
Faça-me me rir.
Não sei  porque acredito nas promessas que fizeste para mim.
Uma tempestade vem aí,
Eu não tenho par onde ir.
Os pingos de chuva me lembram
As lágrimas que deixei cair.
Uma tempestade vem aí,
E eu não tenho espaço pros ventos da desilusão 
Que cresce cada vez mais no meu coração. 
Corta minha alma,
Aumenta o arrependimento,
Me fazendo lembrar que não é coisa de momento.
A tempestade chegou
O desespero aumentou
A lâmina brilhou
O céu chorou
O telefone tocou...
Mas é tarde demais, 
O alivio começou.
Derramei o liquido carmesim,
Sobres as flores de jasmim.
Aí meu Deus, não acredito,
Chegou o meu fim.


Pâmela Silva, 17 anos, mineira que ama Harry Potter.

domingo, 12 de março de 2017

Quanto vale um sorriso?

Em meio a tanta gente rasa e profundezas inalcançáveis, pergunto: Quanto custa ser uma pessoa gentil? Quanto custa demonstrar amor?
Se você ama alguém, se esse alguém é especial, quanto custa o seu afeto? É muito caro para você fazer essa pessoa se sentir e ter a certeza de que é importante para você? É muito caro aproveitar um dia para surpreender alguém? Não vai sair mais caro quando você não tiver essa chance mais? A vida passa.
Seu tempo é muito caro e precioso para quem você ama? Para quem te ama? Quanto custam suas palavras, seu romantismo, sua importância? Quanto vale essas lendas que você tem na cabeça? As coisas para você são tão insignificantes assim?
Quando se trata de sentimento alheio, não podemos julgar. Para agradar o outro é preciso fazer por ele aquilo que o deixa feliz, você achando que isso seja a maior bobagem sem sentido ou não. O que custa? A dificuldade é muito além da que você consegue cumprir?
Quanto vale um dia lindo? Quanto vale um carinho? Quanto vale uma inspiração? Quanto vale um coração disparado e lágrimas de alegria? Pense. Qual o valor disso para você? É muito caro para você demonstrar o valor de alguém?
Quanto custa surpreender? Tenho certeza de que não custa nada perto do valor de um sorriso daqueles, de orelha a orelha, que te faz pular pela casa. Não custa nada perto das pernas bambas e da nuvem de borboletas que levanta voo dentro do estômago. Não custa nada quando se vê a felicidade do outro.
Regue a plantinha dos seus relacionamentos. Não deixe o comodismo ser grande e pesado a ponto de te fazer afundar. Mergulhe. Pegue na mão das pessoas e mergulhe de cabeça.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Hoje não é 23

Duas da manhã e eu acordada pensando no futuro de nós dois, costurando um passado não vivido, tentando colar as partes soltas. Olha eu aqui olhando as horas que não passam, imaginando que amanhã é 23, torcendo pra que seja 23. Olho no calendário: 08. Mas não é possível! Porque os dias não passam? Por que as horas estão paradas?
Se fosse 23 eu diria que você tem sorte por eu estar ali. Se fosse 23 eu passaria a noite com você esperando pelo 24, mas não passa de 08. Os meus dias estão tão movimentados que até me esqueço um pouco de você, mas o relógio me lembra que é dia 8 e que não passa de 02:05. Durante cinco minutos um filme passou na minha cabeça. No dia em que te conheci chovia, mas eram aqueles respingos, sabe? Lembro que você me disse seu nome e eu pensei "vou stalkear". E eu cumpri. Olhei todas as suas fotos, li todos os comentários , investiguei mesmo. Hoje eu sei tanto de você, mas tanto que chega a doer.
3 da manhã. Preciso parar de especular com quem você está dormindo agora ou se está trabalhando, se está farreando ou se está dormindo. O bom moço que eu conheço não espera passar das 23h pra dormir, ele reza antes de dormir e ele pede à Deus para que o dia seguinte seja 23 e se ele não for atendido ele continua esperando pois é isso que o bom moço faz.
Eu chorei 365 dias, eu enviei 365 mensagens, eu dei 365 motivos, eu disse 365 frases e indiretas, eu dei 365 sorrisos te encorajando à chegar junto, eu te ofereci meu ombro amigo por 365 dias, mas hoje eu só queria que fosse 23. Sabe porque? Lembro que foi num dia 23 que te conheci e eu penso em você todos os dias, mas 23 é um dia especial. O dia que foi feito pra me lembrar que você não é meu, mas que está ali...Um dia feito pra doer ou para doar.

terça-feira, 7 de março de 2017

VAI PEGAR OU FICAR SÓ OLHANDO?

Ocorrida em 2006

Quando tínhamos 16 anos participávamos de um grupo de jovens desses de igreja, eu, Carlos, Bruno e Pedro. Havia um rapaz um pouco mais novo, devia ter uns 14 anos eu acho, o Kleber, ele queria pagar de popular entre a galera e resolveu fazer uma festa de aniversário, chamou todos os mais velhos do grupo (inclusive eu e os rapazes), como não tínhamos nada para fazer naquela sexta feira, resolvemos aparecer, sabe como é. Boca livre não se dispensa, e pelo que ele tinha falado, havia chamado todas as meninas do grupo, então.... Chamar ele até chamou, elas aparecerem aí já é outra história. Porém só descobrimos isso quando chegamos na festa.
Chegando na casa de Kleber a festa tinha apenas uns gatos pingados, uns 15 caras e apenas uma garota, sim uma garota! E a garota era feia de rosto (até gostosinha de corpo) e com fama de piriguete, a típica mina queima filme, mas pelo menos tinha bebida, estávamos ali agitando quando Kleber nos chama para irmos com ele duas quadras acima chamar umas meninas para agitar a festa (opa, chamar mulheres? Vamos nessa...). Fomos na casa de três garotas, duas eram gêmeas (inclusive Kleber já estava ficando com uma delas) e a mais nova era tão feia quanto as gêmeas (kkkk, sarcasmo desnecessário), as meninas toparam, mas pediram um tempo para ir se arrumar (para elas se arrumarem para uma festa iam demorar por volta de uns 100 anos, mas eu não ia pegar nenhuma delas mesmo, então que se foda).
Enquanto esperávamos as garotas ficamos ali na rua conversando, quando na outra esquina tinham uma garota e seu namorado, e a garota era amiga de Pedro e de Bruno (ela também faziam parte do grupo da igreja, mas eu só conhecia de vista), fomos todos conversar com s garota e o cara, chegando lá eu vi que Pedro estava com sua típica cara de medo, até que ele me chama no canto e explica, cara eu estava mandando umas mensagens safadas para essa menina e o namorado viu e prometeu me moer na pancada quando me achassem, então PELO AMOR DE DEUS NÃO ME CHAMA PELO NOME!
Eu: Cara que bosta, relaxa, vou te chamar só de cuzão, está bom?
Pedro: É sério man, não brinca com isso, olha o porte do cara
Eu: Tudo bem man, fica sussa
Foi difícil continuar conversando com a galera ali sem rir, ainda bem que as amigas de Kleber logo ficaram prontas (se eu risse na cara do namorado da garota acho que seria eu quem ele moeria na pancada, coisa que dado meu físico e o dele não seria muito difícil), despedimos e descemos para a casa de Kleber, no caminho contei para a Bruno a história, que obviamente riu muito chamando eu e Pedro de frouxos.
Chegando lá na casa de Kleber haviam chegado mais dois amigos nossos, o Juan e o Jader, mal as meninas chegaram e Juan já puxou a irmã mais nova das gêmeas e deu um beijo que fez todo mundo arregalar os olhos, Kleber já estava no outro canto com uma das gêmeas, e Bruno tentou ficar com a outra, porém levou um fora da garota, algo que passaria batido se Jader não grita:
Jader: AH BRUNO LEVOU UM FORA DA GÊMEA, KKKK
Bruno chega para mim e fala:
Bruno: Man agora eu preciso pegar essa menina, senão serei zoado demais, levar um fora de uma garota feia é fim de carreira
Eu: Cara, não sei o que é pior, pegar essa garota ou levar um fora dela. Kkkk
Mas depois de insistir um pouco Bruno pega a garota e assim consegue ter paz em seu coraçãozinho (kkkk). Nisso a piriguete que já estava lá vem dançar comigo, se esfregando e tudo mais, nesse momento fiquei ali pensando se eu pegava ela ou não, se por um lado seria bom dar uns pegas naquela festa que só tinha cuecas, por outro lado aguentar a zoeira dos caras por pegar a piriguete feiosa seria demais. Para não ser zoado, achei melhor não pegar a garota e fiquei ali de boas na minha mesmo, o que não adiantou muito porque quando voltávamos da festa fui zoado do mesmo jeito por ficar ali dançando com a garota e não fazer nada (fui realmente um besta), mas sabe como são garotos de 16 anos, se preocupam mais com aceitação do grupo, e com isso perdi de dar uns amassos e fui zoado do mesmo jeito, eu não sei se eu era um tolo completo ou se essas histórias me fizeram “tocar o foda-se” e não ligar mais para porra nenhuma, o que sei que hoje eu mandaria todos irem se fuder e pegava a mina sem nem pensar, acho que meu eu de hoje teria bons conselhos para dar para o meu de 16 anos, mas que se foda...


PÓS HISTÓRIA
O pior de tudo foi ter de aguentar Kleber indo na casa de todos cobrando R$5,00 pela festa (aquela festa que seria de graça) e o mais tosco é que o único que pagou foi Carlos, logo ele, o mais mão-de-vaca da galera, lembra que o Carlos também estava na festa? Pois é eu também havia me esquecido pois ele simplesmente sumiu da festa, só na hora de ir embora é que descobri que ele estava conversando na porta e bebendo com outro amigo nosso, mas sinceramente, ele foi o que se deu melhor nesta festa onde uns não pegaram ninguém (tipo eu), outros beijaram barangas e ninguém comeu ninguém. Carlos sempre foi o “viajado’ da galera, mas nessa ele foi o mais sábio de nós.

Escritor Misterioso

Casinha de Papel

Fiz uma casinha de papel pra gente fazer morada, e quis que ela suportasse a loucura que é o nosso amor. Detalhe: desabou.
Insanidade minha querer pegar estrelas com as mãos sem jamais ter saído do chão. A lua pode até ser bonita quando se está apaixonada, mas literalmente não é um bom lugar para se viver. 
Achei respostas pra tantas coisas, que todo meu encanto por elas acabou. Foi como ver o fim de um espetáculo antes do palhaço aparecer e sorrir pra mim. Talvez o bom da vida seja isso: não saber tudo. E minha vida necessita de risos. Minha alma busca uma coisa chamada felicidade.
Ah, mas o amor sempre deixa a desejar. Tudo acaba antes mesmo de começar. Nem chego a admirar seu rosto, não sei que cor seus olhos têm, qual o brilho do seu sorriso... Suponho que tem olhos que falam mais que uma centena de frases feitas.
E eu desenho, pinto e reescrevo cada história com a esperança que um dia alguém se interesse por ela e divida uma vida comigo.

Sobre o autor: Ladjane Costa, 26 anos, pernambucana de Surubim. Tem como hobbies jogar futebol, beber e escrever seus sentimentos em um caderno.

domingo, 5 de março de 2017

Com amor, do seu amor

Bom dia, o café está na mesa e eu passei na padaria e comprei aquele pão com leite condensado que você tanto gosta, não tem um porquê, é só para te ver começar o dia sorrindo mesmo, ou só para imaginar sua cara contente ao dar a primeira mordida.
O dia lá fora está lindo, então aproveite. Coloca aquela bermuda de moletom que fica linda em você e vai malhar, eu gosto quando você chega em casa molhado de suor, só pra ter uma desculpa para tomar banho e limpar você. Enquanto eu escrevo essa carta eu estou te imaginando abrindo a porta e perguntando sobre o almoço, e já até consigo me ver brigando com você pra ir pro banho antes de comer. Você me conquista na simplicidade, nos detalhes e a cada dia um pouco mais.
É, eu já até separei sua samba-canção preferida para depois do banho. Você fica lindo nela. Esparramado no sofá da sala vendo seu canal de esportes, com o prato de comida nas mãos, os cabelos ainda molhados do banho, e aquele cheiro que só você tem. Consigo imaginar a cena só em fechar os olhos. E já imagino um monte de sacanagem depois do almoço. A simplicidade do amor me encanta.
Você não sabe cantar, mas quando pega o violão improvisa o Renato só pra me alegrar. Não gosta de cinema, mas compra ingressos toda segunda porque é mais barato. Não torce pro Flamengo mas assiste os jogos comigo aos domingos. Não come japonês, mas me leva toda quinta, seja para comer no restaurante ou em casa. Não gosta de novela mas adormece ao meu lado quando estou assistindo. Você me escuta mesmo quando não está entendo nada, e se mostra interessado por cada ideia louca que eu tenho de salvar o mundo, mais do que isso, você quer salvar o mundo comigo.  Toda sexta você me leva para jantar fora, seja na varanda de casa ou no restaurante mais chique da cidade (isso depende da nossa verba). Você se esforça, e isso moreno, é a coisa mais bonita que alguém já fez por mim.
Eu não sei se já te disse, mas eu passo horas admirando seu sorriso, já decorei cada ruguinha de expressão que você tem no rosto, e eu não resisto àquela covinha no lado esquerdo da sua bochecha. Tem coisas na vida que fazem a gente perder o fôlego, você me faz sentir assim todos os dias quando sai do banho com uma toalha enrolada na cintura e a outra secando os cabelos. Você me faz suspirar todas as noites quando beija minha testa e diz pra eu dormir bem antes de ir embora  ou quando me abraça por trás na cama quando dorme comigo. Você me faz te amar todos os dias. Quando penso que não consigo mais amar você, você me mostra que amor nunca é demais, e eu te amo mais do que antes, cada dia um pouco mais, superando as expectativas e frustrando minhas teorias.
Detalhes. São os detalhes que me fazem ficar perdida em pensamento as seis da manhã imaginando você. São os detalhes que me fazem amar você. Foi nos detalhes que você me conquistou.
Você não abre a porta do carro todas vezes, mas me surpreende algumas vezes aquando abre e beija minha mão. Não há nada encantador na rotina, mas há coisas fascinantes em surpresas, e você é mestre nisso.
Você não lembra o dia de aniversário de namoro se eu não colocar o lembrete no seu celular, mas quem se importa com um dia no mês quando todas as sextas você me leva pra jantar só porque nós nos conhecemos em uma sexta feira 13. Sim, era sexta, e era 13. Foi o dia de maior sorte da minha vida. E desde então 13 tem sido um grande número da sorte e sexta é um daqueles dias em que mesmo depois de tanto tempo eu sinto o nervosismo do primeiro encontro, mesmo que não seja 13, porque todas as sextas nós temos um novo primeiro encontro.
Essa carta não é só para dizer que o café está pronto, que eu torço pro Corinthians pra te ver feliz (só quando não joga contra o Flamengo), que eu comprei a rosquinha com leite condensado porque você ama, que você tem um cheiro só seu, que eu adoro sua bermuda de moletom, e a samba-canção com estrelinhas brancas, muito menos para dizer que eu te amo hoje mais que ontem e menos que amanhã, porque amanhã te amarei muito mais que hoje, com certeza. Isso tudo você já sabe. Nem para falar do seu sorriso lindo que me hipnotiza, da covinha que me conquista todos os dias, ou das ruguinhas que eu aprendi a decifrar.
Essa carta é para lembrar que amanhã é dia 13, e que eu tenho muita sorte por ter você na minha vida.
Ps: Não esquece de colocar o lixo para fora. Haha
Com amor, do seu amor.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Ela que já tinha 31...

E ela que já tinha 31 começou a se sentir como se fosse novamente uma adolescente que lê capricho e ouve os Backstreet boys, descobriu que a magia do amor está mais perto de ser mesmo uma ilusão pré-adolescente, mas ela só queria um bom porre e risos sem motivos, e ele parecia ser capaz de lhe dar isso, mesmo ao preço de ter como efeito colateral borboletas na barriga e agir como uma teen insegura nas aulas de estatística da pós graduação.
Na roda gigante dos paradoxos da vida não se sabe qual dos dois estavam mais perdidos, ele que não entendia porque depois de conhecê-la as outras ficaram sem graça, não lhe atraiam mais e ela sentia se insegura por achar não ser o padrão dele e que poderia ser apenas mais um caso sem motivo, daqueles que se esquece ao virar a primeira esquina depois de uns amassos no carro.
É nas dúvidas e inseguranças do casal que nasce o querer estar com o outro que muitas vezes se perde por esse desejo burro e insano de rotular tudo que se sente na busca de sentir mais próximo de um "Freud explica" nessa dança louca de cadeiras que quer saber onde se acha o que nunca foi perdido.