sábado, 21 de outubro de 2017

Oi moça


É madrugada, minha janela aberta deixa um vento frio adentrar meu quarto, um vento tão frio quanto meu coração, desde que ele partiu. 
Eu me levantei, abri meu guarda-roupa tentando encontrar algo quente para usar, e tudo que enxerguei foi aquele moletom velho dele dependurado em um dos meus cabides, aquele moletom que ele esqueceu aqui depois de descobrir um furo embaixo do braço esquerdo. Aquele moletom que eu sempre usava para ele, geralmente sem nada por baixo. 
Avisa pra ele moça que o moletom ainda está aqui, avisa que eu ainda uso nas noites frias, e algumas vezes até uso nas quentes só para sentir o calor dele mais uma vez perto de mim. 
Avisa pra ele moça que eu não lavei o moletom desde a última vez que ele usou, e que o cheiro dele ainda continua aqui, fraco, mas tão vivo quanto o amor que sinto. 
Depois de me aconchegar dentro do moletom, eu caminhei até a sala e vi um porta retrato com a foto dele ao lado da televisão. 
Conta pra ele moça, que todas as noites de insônia eu sento nesse sofá e fico admirando o sorriso que ele deu naquela foto, remoendo as lembranças daquele dia na minha cabeça, e repetindo a mim mesma que éramos felizes demais para terminar assim. 
Conta pra ele moça que eu ainda abraço aquele porta retrato e choro em silêncio me perguntando se ele também sorri desse jeito para você. 
Não me leve a mal, eu quero que ele seja feliz, quero muito, mas é que é difícil aceitar que não faço mais parte da felicidade dele. 
Me apego aos pequenos detalhes, as pequenas coisas que ele deixou para trás quando se foi. E quando sinto muita saudade dele eu ouço um dos áudios antigos que ele me deixava no WhatsApp. 
O último, em particular, é o que eu mais gosto, ele descreve uma série de atividades pra eu não esquecer de fazer e no final ele diz: "Não esquece de me amar, porque eu te amo muito...". 
Diz pra ele moça, que eu não esqueço de amá-lo nem um segundo se quer, mas que parece que ele se esqueceu, em algum momento, de me amar de volta também. 
O coração é uma coisa estranha não é? Parece que o peito vai explodir de amor, e a gente fica se perguntando como isso é possível, como é possível amar tanto alguém a ponto do peito querer explodir. Não sei a resposta, mas sei que quando ele entrou em minha vida eu vivia em uma constante sensação de morte por aceleramento de coração e eu pensava que morreria de amor, e hoje moça, a sensação é de parada cardíaca. Parece que depois que ele me deixou, a qualquer momento meu coração pode parar. 
Que digam por aí, se isso acontecer, que eu morri por amor. 
Uma infinidade de horas se passaram, o sol já nasce no horizonte quando decidi me levantar e caminhar novamente até meu quarto, embaixo da cama tem uma caixa com todas as coisas que ele deixou para trás, além de mim. 
Pego essa caixa pela centésima vez nesta semana. E pouco a pouco começo esvaziar. Quisera eu, que pudesse fazer isso com meu coração. Mas não. Depois de ver todas as coisas dele espalhadas na minha cama, eu começo a guardá-las novamente, um ritual que eu pratico sempre que abro a caixa. 
Uma gravata, a primeira gravata que eu tirei dele, na primeira noite que fizemos amor. Conta pra ele moça, que a gravata não sumiu, eu disse que ela havia sumido naquela manhã, mas era só para ter o que guardar de lembrança, já que eu pensava que não o veria novamente. 
Um pedaço de papel com a letra dele, conta pra ele moça que no papel tem um lembrete dele para não esquecer de tomar o remédio de gripe na hora certa. Pergunta ele, se ele não se esqueceu de tomar o remédio na hora certa, caso ele esteja gripado. Não esquece moça, pois ele já é esquecido demais. 
Um DVD do Rocky. Você aprenderá logo que o filme preferido dele também será o seu. Diz pra ele moça, que eu achei o DVD jogado embaixo da cama depois que ele foi embora. 
Um CD do Red Hot que ele esqueceu dentro do toca discos. Moça, fala pra ele que eu cuidei direitinho do CD pra ele, pois eu sei o quanto ele é cuidadoso com os objetos de coleção dele. 
Tem até um chinelo que ele largou dentro do banheiro, ele está pregado com grampo em baixo porque havia arrebentado.
Moça, fala pra ele que eu guardei tudo, e que eu rezo para que ele venha buscar um dia desses, e se por acaso eu couber no carro, que ele me leve junto também. 
A vida sem ele não tem mais cor.
Mas moça, se por acaso ele não vier, diz pra ele que eu continuo aqui, e se a esperança é a última que morre ela está tão viva quanto eu. Diz pra ele moça, que o Lucky está sentido a falta dele, que ele não gostou da ração nova que eu comprei, e que todas as noites ele fica sentado de frente ao portão esperando ele chegar. 
Enquanto isso, pergunta ele moça, se ele está cansado, e lembre-se de fazer uma massagem antes de dormir. A comida preferida dele é Lasanha, mas ele não dispensa um japonês. E a cerveja que ele gosta de beber é a Budweiser. 
Ô moça, não esquece de torcer pro time dele ganhar, mesmo que ele saiba que no fundo você só está fazendo isso por ele. 
Ele não gosta de doce, então não se preocupe com sobremesas, ele prefere os salgados. Ele não gosta de surpresas também. Ele diz que odeia criar expectativas. 
Se ele estiver com ciúme mostre que você não se importa com ninguém além dele. 
A cor favorita dele é vermelho, e ele odeia verde e amarelo. 
Moça, ele não come tomate, nem cebola. 
E ah, já é ia me esquecendo, ele gosta de carinhos nas costas, não esqueça disso. 
Por último, conta pra ele moça, que eu sinto saudade todos os dias, mas que eu aceito as escolhas dele. Aceito ele escolher você. 
Se cuida e cuida dele, por você e por mim. 



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

É que...

É que ela acordou e seu primeiro pensamento foi aquele ato babaca de um ser idealizado. É que ela se questiona sobre o motivo de ainda estar viva. Digo que é porque ela sente nojo de si, quando deveria sentir nojo de outro. Afirmo que é porque ela acha que é o fim, quando é apenas um recomeço. Grito, de forma irritante, “é que ela não sabe de nada”.
É que ela acha que não se encaixa mais aqui, não aqui, mas aqui, ali e acolá. Ela acha que ninguém serve, ninguém presta, ninguém é confiável. Ela crê que a vida já passou. Ela acostuma-se a caminhar de mãos dadas com a morte, amanhã ela então lhe dará a outra, no dia seguinte o pé esquerdo e depois o direito, até que chega o dia do seu coração, e quem saiba nem na morte ela confie. Sempre desconfie.
Ela acha muita coisa, mas achar não torna nada um fato.
É que ela não sabe que haverá tempos piores. É que ela não sabe que a terra da garoa já não pode mais abriga-lá. Ela não percebe que a cidade de impérios caídos já não tem o mesmo gingado, e ela nem imagina que está no lugar errado.
É que amanhã ela será ateia e depois cristã, um dia será deísta e depois nem eu sei. Ela vai sair da faculdade e escrever belos textos, é que ela vai ser lida. Ela vai voar.
É que ela vai encontrar seu lar em um doce carioca. Ela vai amar o seu jeito engraçado de falar, aquele "x" no meio dos "s". É que ele vai lhe dar amor e confiança. E pela primeira vez ela vai conhecer a pureza da alma, o encanto da magia e o mel da infância.
É que ela nem acha e nem acredita que essa cara exista, mas ele está lá, em uma janela enferrujada olhando o Cristo Redentor, fazendo suas rimas de quebrada e apaixonadas, sonhando com o dia em que viverá de sonhos, e tendo a certeza mais do que correta de que será real. Te digo muito mais, é que ele também acha muitas coisas, mas ele acha que suas rimas preciosas já tem uma dona e ela acordou hoje pensando naquele ato babaca de um ser idealizado.
Eu sei e entendo que o tempo pode até nao curar nada, mas te faz esquecer muita coisa.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Murilo


Murilo era um rapaz de 25 anos, que tinha uma vida normal, trabalhava em um escritório de contabilidade, tinha uma namorada que conheceu em uma balada, fazia faculdade de economia, morava na casa dos pais, enfim.
Com o passar dos tempos Murilo foi adquirindo atribuições no serviço e com elas agradando seu chefe, em pouco tempo Murilo era chefe de departamento, estava no último ano da faculdade, e parecia ter sua vida bem encaminhada, propôs casamento a sua namorada que aceitou sem pestanejar.
Conciliar as atividades de conclusão de curso mais os preparativos do casamento não era fácil, mas ele se sentia realizado, tinha um bom emprego, formando o curso que sempre almejou e ainda casando com a mulher por que foi apaixonado desde os tempos de colégio.
Agora economista, casado, Murilo resolveu empreender e montar sua empresa de consultoria econômica, empresa essa que prosperou em curto tempo e rendeu estabilidade financeira ao mesmo, Murilo se sentia quase um “Rei Midas”, pois tudo que tocava virava ouro, ele obtinha prosperidade em tudo que se propunha a fazer, até que... Começou a se sentir vazio, pois de alguma forma faltava algo, e ele que sempre teve tudo que sempre quis, não tinha mais objetivos, não tinham metas, percebeu que sua esposa tinha se tornado uma mulher acomodada, em função da vida que tinham e isso lhe agradava menos ainda.
O castelo de sonhos perfeitos de Murilo se desfez devido sua perfeição, ele se via sufocado em sua vida perfeita e não conseguia mais ser feliz, Murilo sempre foi muito determinado e sem motivação ele era um homem vazio.
Murilo percebia que faltava algo, foi quando se deu conta que seu casamento “quase” que perfeito faltava um filho, logo Murilo que sempre teve na cabeça que casamento tinha que ter filho, porém com as atribuições da empresa e estruturação de sua empresa não sabia se aquela era a hora, mas agora não restava mais dúvida, conversou com sua esposa que ficou extremamente empolgada com a ideia, entretanto o tempo foi passando e Jéssica não engravidava mês após mês a frustração vinha assolando aquele casal, casal este que resolveu então procurar ajuda médica, foi quando descobriu que Murilo não podia ser pai, aquilo pra ele foi um choque, foi então que aos poucos viu seu casamento ruindo, pois ele não era a favor de adoção, pois sabia o quão complicado era o processo, e o fato de adotar uma criança já maior, aquilo não lhe era interessante, ele queria uma criança sua desde o inicio, participar de todas as fases, seu casamento parecia meio que sem sentido, não tinha filhos, e depois de inúmeras conversas e discussões eles decidiram terminar o casamento, sem brigas, só mesmo por que parecia que o mesmo tinha perdido uma de suas características funcionais.
Agora solteiro Murilo sentia um vazio, porém não dava pra continuar o casamento, sorte sua ter vários amigos, amigos estes os quais não o deixaram sozinho neste momento difícil, o tempo foi passando, a dor ainda existia, mas agora era mais suportável, e foi assim que Murilo aprendeu da vida que nem tudo é como se almeja, mas a vida tem sua forma de nos dar algumas lições, mesmo que a sequela, ou as sequelas desses aprendizados se perdurem por toda a vida.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

BRUNO TE DEVO UMA GAROTA

Ocorrida em 2009

PREFÁCIO

Bruno é realmente um bom amigo e eu acabei metendo ele em uma roubada por ser tolo e estar de pau duro querendo comer alguém, eu tinha uma porrada de contato de periguetes e vagabundas que eu conseguia em bate papo e comunidades do extinto Orkut, uma vez conversando com um desses contatos a menina me chamou para ir em sua casa, nessa história em particular eu não vou trocar o nome dela, pois ela já havia feito isso como vocês irão entender no decorrer da história, isso era umas 23:00 de uma quinta feira, mas como na época eu não estava trabalhando e nem tinha nenhum “freela” pra fazer eu peguei um ônibus pra casa da menina, que segundo seu endereço era longe da porra, as um garoto de 19 anos é burro e faz tudo atrás de uma boceta, aí já viu, é merda garantida.
Cheguei na porra da rua que Amanda disse morar e simplesmente não existia o número que ela falou, e como eu disse tudo isso se passou em 2009 e não se tinha WhatsApp ou nada do tipo, tentei ligar para ela e dava desligado, perguntei uns rapazes que estavam na rua que disseram não conhecer nenhuma Amanda, foi quando me cansei peguei um moto-táxi (não tinha mais ônibus disponível pois já passava de 0:00) puto de raiva cheguei em casa e fui dormir.

DOMINGO PACATO...

Domingo a tarde e seu característico marasmo e eu conversando com algumas garotas na esperança de salvar ao menos um encontro quando Amanda fica online, chamo ela e pergunto o que rolou que eu fui naquela distância toda e nem havia o número que ela tinha me passado, ela me fala que se eu me confundi e que não era 25 e sim 22 o número correto, pede para que eu vá agora que ela estava com uma amiga, e me pede que leve um amigo também, eu confirmo e ligo pra Bruno que estava estudando para um trabalho da faculdade, ele me pergunta se realmente as meninas são safadas e gostosas pois o trabalho era importante, eu simplesmente confirmo sem nunca ter visto a amiga e conhecer Amanda apenas por foto, pobre Bruno confia em mim e vamos encontrar com as garotas. No caminho eu conto do ocorrido anteriormente e ele já começa me xingar e me chamar de burro e que provavelmente isso era uma fria, mas já estávamos a caminho e só o que nos resta é torcer para não ser mais uma roubada, chegamos lá e Bruno estava certo, o número não existe, sou obrigado a ouvir Bruno me enchendo o saco pois eu realmente fiz cagada desta vez, ele sugere irmos a uma lan house tentar falar com a puta da Amanda, ela estava offline claro, é quando me deu conta que foi um tolo punheteiro e que provavelmente Amanda era na verdade Armando um cara de 35 anos que só queria tirar uma onda com minha cara, apago o contato, falo com Bruno pra irmos embora peço e desculpas e lhe digo que estou lhe devendo uma mulher, e que pagarei o mais breve possível.


PÓS HISTÓRIA

Quase um ano depois estávamos em um show sertanejo quando eu vi uma morena muito gata, daquelas de parar o trânsito, resolvo falar com Bruno e falo com ele: Mano olha que mulher BONI... quando eu falo o TA ele já estava conversando com a garota, depois de um tempo volta com o telefone da menina, marcaram de sair e começaram a namorar depois de um tempo, logo quito minha dívida pois fui eu quem viu a garota e logo os créditos também são meus.

Escritor Misterioso

domingo, 8 de outubro de 2017

Mais uma manhã para refletir...


Dia nublado Camille acorda parecendo pairar sobre seus pensamentos, como se algo a impedisse de tocar o chão, quando ela olha pro rádio relógio sobre a penteadeira e vê que ainda são cinco horas da manhã. Meu Deus! Não consigo dormir acho que esse vazio no meu peito está me fazendo mais mal do que pensei, essa sensação de que falta algo, num misto de arrependimento com frustração, algo que Camille não gosta de sentir e nem consegue explicar, mas que ultimamente tem sido seu melhor companheiro, me atreveria a dizer seu único companheiro.
Logo Camille que sempre teve medo do futuro, de ficar sozinha, e preferia o Goku ao Vegeta justamente por não gostar de solidão, agora se vê triste e melancólica as cinco da manhã de quinta feira, e pensa que a vida em mais um de seus sarcásticos paradoxos resolveu lhe brindar com a coleção de seus medos a título de brincadeira sem noção, e se não bastasse todas as ironias, hoje é doze de outubro e nem o Facebook tem recordações suas para compartilhar.

domingo, 1 de outubro de 2017

Achados e perdidos


E são nos breves e simples momentos que percebemos o quanto o amor se faz presente, desde um simples entrelaçar de mãos ou um sorriso bobo por ter você ao meu lado em um dia nublado que a ameaça de chuva me faz deseja-la ainda mais para que um banho seu ao meio da rua cantando Maggie May do Rod Stewart em inglês embromation seja computado a mais uma das lembranças e histórias que tenho ao seu lado que só ecoam em minha mente o que eu já sei a muito tempo, que jamais eu conseguiria alguém que me completasse e que fosse tão louca a ponto de entender e gostar de minhas loucuras.
Se a chuva irá cair ainda é uma dúvida, mas quem se preocupa com ela quando sempre terei você ao meu lado e isso é suficiente pra que eu possa ser o que consigo ser melhor, um louco e perdido apaixonado que não pode mais ser chamado de perdido pois se encontrou, ou melhor encontrou sua metade, aquele que ele nem procurava e que agora promete nunca perder.